Se eu pudesse Amar


No clarão dos círios...
Eu te devera consagrar meus dias, nos meus delírios
E um canto de enganosas melodias Levou meu coração..

Só tu, só tu Abita o meu peito farto de imenso amor,
E uma Saudade calma...
Ao brilho de tua lágrima doera meu leito,
De dores inundarem ainda a minha alma.

Pela treva do espírito lancei-me, Das esperanças suicidei rindo..
Sufoquei-as sem dó. No vale dos cadáveres sentei-me
E minhas flores semeei sorrindo dos túmulos no pó..

Matrimonio perfeito, deixei no templo.
A loucura se apagar.. na noite escura.
O meu gênio descreu. Voltei para a vida, só contemplo
A cinza da ilusão que ali murmura...
Morre... Tudo morreu..

Cinzas, cinzas.. só tu podias
À alma que se perdeu brada de novo.
Ressurge ao amor. Razão das minhas agonias
Eu deixaria as multidões do povo
Para te-lá Meu amor..

Do leito aonde o vício acalentou-me
O meu primeiro amor fugiu chorando..
Pobre. Um vendaval sem norte arrastou-me,
Acordei-me na treva... Profanando
Os puros sonhos meus!

Oh, se eu pudesse amar.. e impossível.
Mão Mortal escreve na minha vida..
A dor me envelheceu.. o desespero pálido.
Agoirou minha aurora entristecida, de meu astro.

Se eu pudesse amar! Mas não.. agora
Que a dor emudeceu meus breves dias,
Quero na cruz sangrenta
Derramá-los na lágrima que implora,
Que mendiga perdão pela agonia
Da noite de luto lento.

Quero na solidão nas escuras grutas..
A tua sombra procurar chorando,
Com meu olhar incerto.
As pálpebras doridas nunca enxutas dilaceram..
Teus fantasmas invocando
No vento do deserto.

De meus dias a lâmpada se apaga..
Roeram meu viver mortais venenos,
Curvo me ao vento forte..

Teu fúnebre clarão que a noite alaga,
Como a estrela oriental me guie ao menos ate o vale da morte.
No mar dos vivos o cadáver bóia.

A lua é descorada como um crânio,
Esta lua não reluz...
Quando na morte a pálpebra se engolia,
O anjo se acorda em nós voa em busca ao mundo da luz.

by: Anjo.

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